domingo, 22 de fevereiro de 2015

Nós… connosco



 
Os maiores dos nossos desencontros são os que acontecem connosco mesmos! Estou certa de que haverá mesmo pessoas que nunca tiveram a graça de se encontrarem consigo uma só vez que seja.
Esta afirmação parte de mim! Sempre fui considerada uma pessoa sensata, trabalhadora, atenta e de boas relações sociais! Mas passei inúmeros anos sem conhecer minimamente a Hermínia que eu era.
O estudo aturado de Filosofia e Psicologia ajudaram-me a melhorar muito o meu comportamento, mas não foi o bastante. Enquanto trabalhava tive imensos encontros de formação que também me foram muito benéficos… bem assim como a convivência com colegas, alunos e seus familiares… mas foi no tempo de reforma que consegui realmente enxergar-me e dar a volta ao que em mim havia de visivelmente errado!
Com mais tempo livre e desejo de o gastar bem, enveredei por formação pessoal e humana dando especial relevo ao estudo e trabalho da minha interioridade!
Tenho alguns grupos onde estou inserida que me ajudam a crescer em todos os sentidos, mas um desses grupos destaca-se por demais, pois é uma espécie de irmandade onde nos sentimos mutuamente acolhidos partilhando fracassos e sucessos na certeza de que não saem do grupo, o que minimiza a dificuldade de vencer os obstáculos que nos apareçam.
Aos poucos aprendi a olhar-me cada vez com mais cuidado e atenção vendo os meus comportamentos como se fossem de outra pessoa! Aprendi a ver-me de fora para dentro! Aprendi a aceitar-me tal qual era o que me levou a um esforço feroz e aturado no sentido de desprezar os defeitos e desenvolver as qualidades! E fiquei-me nessas lutas durante largo tempo.  Foi difícil, mas gratificante!
Depois que aprendi a lidar com os meus inúmeros problemas e imensos maus feitios e com as minhas rabugices internas, comecei a compreender melhor e a dar muito mais valor às pessoas que me envolvem.
Para concluir o que já considerava muito bom tive a bênção de uma doença que abalou família e amigos, e a mim também!… Mas foi a ajuda recebida para minimizar esse enorme mal-estar que me levou a olhar-me mais e melhor e a ver as pessoas e os acontecimentos com maior realidade e a aceitá-los com maior fortaleza e calma.
Finalmente… aprendi a rir de mim perante muitas coisas que me acontecem… a aceitar e pensar muito nas observações… a não resmungar… a mudar as minhas atitudes perante inúmeras coisas!... E foi assim, com avanços e recuos que, sem deixar de ser quem era, me fui tornando na Hermínia que hoje sou.
Continuo a ser perita em fazer asneiras… mas, consciente de que acontecem por mera fraqueza e sem eu querer, aproveito-as para aprender com elas tentando melhorar cada vez mais o meu comportamento para o maior conforto de quem vai partilhando comigo a vida, mais de perto ou mais de longe! Aprendi a ouvir e a ficar silenciosa com o que oiço, pois o ouvir aqui e contar ali não é bom para ninguém, até porque, “quem conta um conto aumenta um ponto”! Aprendi que todas as pessoas têm dificuldades, fracassos e sucessos… junto com o direito de errar e de corrigir os erros!
Nada disto teria acontecido sem um conhecimento o mais perfeito possível de mim mesma! Se eu não conseguisse conhecer-me tão bem nunca poderia ter melhorado os meus comportamentos!
Realço a necessidade de um grupo de amigos com as mesmas necessidades e desejos que nós, pois sem ajuda mútua não é possível haver encontros, sejam eles quais forem!
Felicidades e até breve.

Hermínia Nadais
In jornal "A Voz de Cambra"

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Recordar... para viver!...




Às vezes, dada a sua suprema importância, apetece descrever certos acontecimentos para que se perpetuem no tempo de modo a serem lembrados para memória futura!
Foi o que aconteceu com a festa maravilhosa do Manuel Oliveira, de Irijó, que perante a paróquia de Cepelos é filho, irmão e pai! Um filho porque foi na terra de Cepelos que ele nasceu; um irmão na medida em que vive ao lado do povo de Cepelos na maior compreensão, solicitude, atenção e fraternidade;  e é ainda um pai, pois está sempre presente ao povo de Cepelos em todas as suas dificuldades ou venturas, incentivando e ajudando alegre e desinteressadamente, das mais diversas formas, o que dele necessitar e quem dele necessite!
Dois de Janeiro de 2015, foi o dia festivo do cinquentenário do seu casamento com a D. Carolina, uma senhora bem digna de um homem como o Senhor Manuel! Não podemos esquecer que, ‘por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher’.
Num curto dia de Inverno, o dia foi realmente curto! A festa foi começada bem de madrugada, quando alguns dos paroquianos do filho António se deslocaram a Cepelos para participarem  com os seus préstimos na realização do tão esperado e ansiado evento!
Durante a manhã, aos poucos, todos os recantos contíguos à grande igreja foram enchendo até ficar tudo a abarrotar de viaturas e gente provinda das mais díspares localidades!
Onze e trinta! Hora da Eucaristia Celebrativa, presidida pelo filho Padre António, concelebrada por um grande número de Padres amigos, assistida por Diáconos, e com um sem número de Acólitos…  que todos, no seu todo… encheram de uma maravilhosa nuvem branca toda a espaçosa zona circundante do Altar-Mor da igreja matriz!
O Coro da Paróquia, bem conhecido pela sua larga, estonteante e eficiente beleza, abrilhantou a Eucaristia enchendo a alma e o coração de todos!
Na homilia, o Padre António fez tensão de dizer que o namoro dos pais foi de um escasso meio ano! Diga-se com verdade: parece curto demais para cinquenta anos de casamento, mas foi o que aconteceu! Referiu também a dificuldade dos princípios de vida do casal quando as “grandes saídas” se limitavam a uma ida à pastelaria - no tradicional “passeio dos alegres”!
Da homilia não tenho mais pormenores! Mas sei que no casal, uma vida de intenso trabalho, de doação, de amor e de fé, na delicadeza, ternura e carinho, foram uma constante! Sempre, até hoje, ligados à igreja, mas mais ele como amparo dos paroquianos e braço direito do Pároco, mostrando pelas suas atitudes uma sublime e admirável postura!
No final da Celebração continuou a festa, com os já tradicionais “porcos no espeto” com todo o inerente acompanhamento e outras iguarias até noite adentro, com a maior alegria e satisfação entre todos os presentes!
Cumprimentei e dei os parabéns ao Senhor Manuel na Missa das oito horas, pois a vida não me deixou ir viver com ele, mais de perto, todo o desenrolar da sua festa! Dizia-me ele, a respeito,  passados uns dias: “Foi uma pena você não ter podido estar presente! Foi um dia inesquecível! Nunca imaginei tal coisa! Tenho muito orgulho dos filhos que tenho! Agradeço a Deus por eles! Tantos Padres, Diáconos, Acólitos… tanta gente! Eu não fazia ideia do que me tinham preparado, nem do que me chegaria dos paroquianos do meu filho, que foram incansáveis! Alguns vieram na frente com tudo para que nada faltasse a ninguém, e ainda andaram perdidos! Outros, vieram de autocarros! O povo daqui estava em massa! O meu filho, da forma como organizou a homilia onde pude reviver, de facto, partes importantes da minha vida, fez-me chorar! Que Deus seja louvado e obrigada a todos é a única coisa que tenho a dizer!”
Obrigada nós, Senhor Manuel! Obrigada D. Carolina! Obrigada pelo vosso testemunho de vida que tanto engrandece a nossa comunidade! Numa época de tanta crise familiar, encontros destes… precisam-se mesmo!

Hermínia Nadais